5. ECONOMIA 9.10.13

1. A CHAVE  AUMENTAR A EFICINCIA
2. O ADEUS DA SUPERTELE BRASILEIRA
3. E O SONHO NAUFRAGOU

1. A CHAVE  AUMENTAR A EFICINCIA
A lentido na melhoria da infraestrutura e da educao condena o Brasil ao baixo crescimento, ameaando os avanos sociais.
ANA LUIZA DALTRO 

     Desde 2010, o Brasil no sabe o que  crescimento vigoroso. A economia parece presa a uma velocidade no muito superior a 2% ao ano, ritmo insuficiente para consolidar os avanos sociais da ltima dcada. Enquanto as commodities exportadas pelo Brasil batiam recordes de valorizao, os investimentos externos abundavam, possibilitando o crescimento do emprego e a expanso do crdito. O pas tambm se aproveitava dos benefcios de reformas feitas anteriormente, como as privatizaes, a abertura da economia e as novas legislaes que permitiram o aumento dos financiamentos. Mas esses motores perderam intensidade. Chegou a hora de agregar outros motores  economia. O fundamental ser incentivar novas reformas e aes que ampliem a produtividade, a nica fonte de crescimento real e sustentvel a longo prazo. Um pas pode crescer por algum tempo apenas estimulando o crdito e a criao de empregos. Mas o enriquecimento real s ser possvel se cada um de seus trabalhadores produzir mais valor individualmente, por meio da incorporao de novas tcnicas, do aprendizado e dos ganhos de eficincia. Como diz a rotineiramente citada frase do economista americano Paul Krugman, ganhador do Nobel de 2008: "A produtividade no  tudo, mas a longo prazo  quase tudo". E explica: "A capacidade de um pas de ampliar o seu padro de vida depende quase inteiramente de sua capacidade de aumentar a produo por trabalhador". 
     A m notcia  que a produtividade mdia brasileira permanece praticamente estagnada h duas dcadas. Houve avanos em alguns setores, com destaque para a agricultura, mas, no geral, esse indicador pouco tem evoludo. Conforme um estudo do economista turco radicado nos Estados Unidos Dani Rodrik, professor de Princeton, a produtividade do trabalhador brasileiro cresceu ao ritmo de 1,8% ao ano durante as ltimas duas dcadas. No mesmo perodo, o indicador subiu 2,2% no Mxico, 3,7% no Peru, 3,8% no Chile e 4% na Turquia. Na Coreia do Sul, que tinha uma renda mdia semelhante  brasileira, a produtividade avanou a um ritmo de 5%. O pas conseguiu ingressar no time das naes desenvolvidas, com um PIB per capita que  o dobro do brasileiro. Os nmeros foram apresentados por Rodrik na semana passada durante o EXAME Frum 2013, cujo tema foi Como aumentar nossa produtividade". O evento contou com a participao de empresrios, economistas e tambm de lideranas polticas, alm do presidente do STF, Joaquim Barbosa, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega. 
     Na avaliao dos empresrios, a chave para destravar o n da produtividade passa necessariamente pelo aprimoramento na infraestrutura e na educao. O presidente da Bosch, Besaliel Soares Botelho, afirmou que a companhia gasta por ano 6 bilhes de reais com desperdcios no processo produtivo causados por deficincia na qualificao educacional dos funcionrios. Cledorvino Belini, presidente da Fiat, lembrou que a educao afeta diretamente a inovao. "H sessenta anos, o Brasil e a Coreia do Sul tinham o mesmo nvel de educao, com 35% de analfabetismo", disse Belini. "Os coreanos erradicaram o analfabetismo, e ns continuamos com 13% de analfabetos. Eles tm 88% dos jovens na universidade, e ns s temos 18%. Isso nos afeta muito, porque a produtividade avana junto com a inovao." Para Pedro Passos, um dos fundadores da Natura e presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (iedi), o Brasil tambm dever se abrir mais  concorrncia internacional: "Somos um pas fechado, bastante protegido, que deixou de avanar na agenda do comrcio mundial h alguns anos". 
     Para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o planejamento do setor pblico  essencial na busca por mais produtividade: "O presidente tem de construir um projeto antes de chegar ao governo, e no chegar l e depois planejar o que tem de ser feito". Campos defendeu tambm a meritocracia como essencial para o bom funcionamento da administrao pblica. Marina Silva destacou a falta de reformas institucionais nos ltimos anos: "O socilogo no fez a reforma poltica e o operrio no fez a reforma trabalhista". Acio Neves, por sua vez, enfatizou a importncia da estabilidade das regras para incentivar os investimentos. " fundamental que tenhamos marcos regulatrios estveis, que no mudem em funo de circunstncias conjunturais", afirmou o senador. Nesta tera-feira, Acio falar para 800 megainvestidores em um seminrio promovido pelo BTG Pactual, em Nova York. Eis um trecho do discurso: "Segundo o World Economic Forum, somos apenas o 56 pas mais competitivo do mundo. Nossa posio vem piorando, principalmente em um item: qualidade geral de infraestrutura, no qual j camos trinta posies desde 2010". 

Os gastos em infraestrutura tm potencial multiplicador. O aumento de 1 real pode elevar o PIB em 3 reais.  GUIDO MANTEGA, ministro da Fazenda.

 fundamental que tenhamos marcos regulatrios estveis. Criamos um ambiente hostil aos investimentos.  ACIO NEVES, senador (PSDB-MG)

Em 2010, o debate foi pobre. O Brasil espera das lideranas que construam consensos sobre aquilo que  importante.  EDUARDO CAMPOS, governador de Pernambuco (PSB)

COM REPORTAGEM DE BIANCA ALVARENGA


2. O ADEUS DA SUPERTELE BRASILEIRA

     Quando a Portugal Telecom, a PT, comprou 23% das aes da Oi, em 2010, especulava-se que o passo seguinte seria uma fuso das empresas. Fazia todo o sentido. Na ocasio, a Oi ganhou uma fatia da PT. Ao mesmo tempo, os controladores brasileiros, premidos pela dvida elevada e pelos resultados frustrantes, j no demonstravam mais o mesmo interesse pela companhia. A hiptese, no entanto, foi peremptoriamente negada pelo ento presidente Lula, que negociou a entrada dos portugueses na Oi diretamente com o primeiro- ministro portugus, Jos Scrates. "A Oi continuar a ser brasileira da Silva", disse o ex-presidente. Admitir o contrrio representaria um tremendo desgaste poltico, j que Lula empenhara todo o seu prestgio na formao de uma supertele nacional, financiada com rios de dinheiro do BNDES e favorecida por uma mudana na legislao que permitiu que ela comprasse a Brasil Telecom. Na semana passada, o projeto do PT de criar a "supertele nacional" caiu por terra. 
     A PT e a Oi iniciaram um processo de fuso que, concludo, dar aos portugueses 38% da nova empresa, que por ora  chamada de CorpCo, e o controle da operadora brasileira. Os outros 62% estaro distribudos entre os demais acionistas, incluindo o BNDES e os fundos de penso de estatais, alm dos grupos Andrade Gutierrez e La Fonte. O presidente da Oi, Zeinal Bava, assume agora a misso de reconquistar clientes, reestruturar a contabilidade da empresa e apaziguar os investidores. Os acionistas minoritrios temem ficar s com o nus da juno. Isso porque, apesar de captar mais 5 bilhes de reais no mercado, a nova empresa vai assumir a dvida de 4,5 bilhes dos antigos controladores. "Querem resolver a vida dos antigos controladores e empurrar a conta para o mercado", diz um dos acionistas minoritrios. Bava comea a se reunir, nos prximos dias, com esses investidores. Vai precisar de toda a sua habilidade para apagar o incndio em formao. 
MALU GASPAR


3. E O SONHO NAUFRAGOU
A OGX, de Eike, a caminho da recuperao judicial.

     Se ainda restava alguma fagulha de esperana em uma reviravolta na petroleira OGX, o carro-chefe do imprio de Eike Batista, ela se dissipou na semana passada. O cenrio mais provvel se confirmou: a empresa anunciou o calote na dvida de 45 milhes de dlares e deu o primeiro passo para sua liquidao. Agora, entrar em processo de recuperao judicial, ganhando tempo para renegociar com os credores e tentar passar adiante seu nico campo de petrleo em atividade, o Tubaro Martelo, na Bacia de Campos. A rodada de conversas que se avizinha no ser fcil. Caso no haja consenso sobre as cifras, um credor pode pedir a falncia da OGX. Outra grande preocupao no grupo  evitar que as negociaes na petroleira prejudiquem as demais empresas X, debitando-lhes ativos e dinheiro. O clima  de desnimo. Nos ltimos dias, os poucos funcionrios remanescentes se preparavam para mudar do suntuoso edifcio Serrador, no centro do Rio de Janeiro. H quatro meses, o grupo no paga o aluguel, de 800.000 reais mensais. A nova base de Eike ser em seu antigo quartel-general, um prdio mais simples, em que vai ocupar apenas alguns andares.  o mesmo dos tempos em que ele ainda no tinha feito o primeiro bilho. 
M.G.


